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  MAURO FACCIO GONÇALVES nasceu no dia 18 de janeiro de 1934, em Sete Lagoas, filho de Mariano R. Gonçalves e de Virginia Faccio Gonçalves, sendo o primeiro dos 11 filhos. Em sua cidade natal, era conhecido como "BIDU", apelido que ganhou de seus familiares. Iniciou seus estudos em 1941, na escola “Sagrada Coração de Jesus”, cujos alunos chamavam carinhosamente de “Escola Vó Fina”. Concluindo seus estudos secundários, em 1951, na Escola Técnica do Comercio (Hoje Escola Estadual Mauricio de Jesus Peixoto). Desde pequeno exercitava seu lado artístico, com teatrinho de quintal, usando materiais de sua casa e roupas da família, para representar em suas brincadeiras, sendo que, na escola, ja despontava com suas apresentações.

A partir de 1953, participou do Grêmio Artístico Santo Antonio, dirigido por Odete Coelho, para angariar fundos para a construção do Bispado. Também nesta mesma época, participou do Grêmio teatral “Flor de Lys”, na Paróquia de Sant’Anna , com direção de Virginia Melo, Maria Auxiliadora Simões (D. Dóia) e trabalhavam em beneficio da Sociedade São Vicente de Paula.

No Grêmio Artistico Santo Antonio, com Odete Coelho em companhia de diversos amigos, como: Maria da Conceição Pereira, Jovenino Dorotéia, Antonio Afonso de Souza, Terezinha Pontes Lanza, Leila Andrade de Pereira, Marister Ribeiro, Ulisses Pontelo, Geraldo de Souza, Fernando dos Santos e Ildefonso Abreu, encontraram no teatro a única forma de angariar fundos para a construção do bispado de Sete lagoas, com diversas peças como: “Lagrimas de Mães”, “Nhô Manduca”, “A filha do Marinheiro”, entre outras, com grande sucesso em Sete Lagoas e na região. Mauro escrevia e preparava a montagem do palco e segundo Odete Coelho, ele era “Pau pra toda obra” e como ator, encantava a todos em suas apresentações.

Ingressou na radio Cultura em 1954, e participou do programa “Em Barbosal era assim”, Wilson Tanure e Mara Lopes.

Este programa tinha o patrocínio de diversos estabelecimentos comerciais da cidade, entre outros o “Café Cordial”, e no espaço do programa, a sessão “Cresça e Apareça’, onde se apresentavam e eram descobertos novos talentos de músicos e cantores. O patrocínio do Café cordial se limitava a dizer:

“Cantou bem, cantou mal, Café Cordial.

Cantou mal, cantou bem, Cordial também!”

Em 17 de outubro, o Grêmio Artístico fez uma apresentação em Caetanópolis, com a peça “Lagrimas de Mãe”, um drama em três atos e um quadro. Mauro fez o papel de Pedro, filho de criação de um casal: Antonio e Brígida; levava a vida bebendo e roubando. Sua interpretação foi um grande sucesso para a peça, juntamente com os artistas: Elpis, Heitor, Manuelita, Iris e Nair Maria.

Em 1955 na Capela de São Geraldo, Mauro subiu sozinho na carroceria de um caminhão. Avisado pelo Padre de que não poderia falar palavrão, pois o povo estava presente e era dia de festa. Ele contou e representou em uma comédia, criada por ele mesmo, intitulada:  “O Velho do Papo”. Vestia roupas velhas e, com os dentes pintados, ficou mais de quarenta minutos envolvendo a todos com sua comédia. Naquela tarde ameaçava muita chuva, mas ninguém arredou o pé, até que ele terminasse, entre aplausos, vivas e pedidos de “Bis’!

Por volta de 1956, no Grêmio Teatral “Flor de Lys”, apresentou também diversas peças como: “Os presentes de Candinha”, “Morre um gato na China” e “Não te conto nada”, entre outras.

No dia 03 de abril de 1957, com 23 anos de idade, foi estudar arquitetura em Belo Horizonte, poucos meses depois, deixou os estudos para trabalhar em programas humorísticos na “Radio Inconfidência” e, nesta mesma época, trabalhou no Banco Comércio e Indústrias. Na Radio inconfidência, manteve-se como melhor do rádio de 1958 a 1963. Durante seu período em radio, foi convidado para trabalhar na TV Itacolomi, também em Belo horizonte. Com menos de um ano de TV, o Ator/Humorista se destacou de maneira brilhante no vídeo belorizontino, onde teve a oportunidade de demonstrar sua capacidade de interpretação, ao lado de artistas já famosos e conceituados que vinham do rio, para participar de programas na Tv Itacolomi, como: Paulo Gracindo, Mario Lago e Mario Tupinambá, ganhando ainda mais a simpatia do publico.

Em 1963, convidado por Manuel da Nóbrega, foi para a TV Excelsior, no Rio de Janeiro, onde passou a residir e dali viajava para São Paulo a fim de participar também do programa “A Praça da Alegria”, na Rede Record. (“Hoje o programa é conhecido como a Praça é Nossa, sob o comando do filho de Manoel, Carlos Alberto de Nobrega”, no SBT.)

Em 1965, foi trabalhar na TV Tupi, participou de diversas dublagens de filmes estrangeiros, produzindo vozes de todos os tipos, imitações de personagens de desenho animados. Produzindo arranjos e complementando peças teatrais.

Em 1970, ainda na TV Tupi, participou e atuou na peça:”A Dama do Camarote”. Seu papel era secundário, mas devido á interpretação que deu ao texto, Mauro tornou-se a peça chave do espetáculo, que fez sucesso em todo Brasil, quando ganhou seu primeiro prêmio: “Ator Revelação”.

 

A partir de 1972, depois de viajar por todo o país com a peça, voltou a se fixar no Rio de Janeiro e ainda na Tv tupi, mauro criou o personagem “Moranguinho”, inspirado num tipo folclórico de sete lagoas, que fazia a festa da garotada da cidade, no programa “Café sem concerto” da TV Tupi.

“O Moranguinho” (que depois ficou conhecido como Zacarias) era um garçom muito engraçado, que aprontava mil confusões para atender os fregueses de um bar. Já de peruca e os dentes pintados de tinta crayon, 

chamou a atenção de Renato Aragão, que o convidou para integrar o grupo “Os Trapalhões” (TV Tupi) em 1974.

Com “Os Trapalhões”, Mauro Gonçalves chegou a sucesso a nível nacional e internacional, participando de mais de 150 shows em diversas cidades e nas principais capitais brasileiras, em filmes e programas de televisão.

Antonio Renato Aragão (Didi), Manfried Santana (Dedé), Antonio Carlos Bernades Gomes (Mussum) e Mauro Faccio Gonçalves (Zacarias), Participaram de 22 filmes (Exceto “Atrapalhando a Suate” que não tem a participação de Aragão).

Nos anos 70, Mauro também participou de outros 3 longas (Tô na tua, Ô bicho, de 1971, O fraco do sexo forte, de 1973 e “Deu a louca nas mulheres” de 1977, ao qual o seu personagem Zacarias é o personagem principal deste longa).

No inicio dos anos 80, juntamente com os companheiros de trabalho “Dedé Santana e Mussum, fundam a produtora “DEMUZA” (que no final dos anos 80 muda o nome para “ZDM”) para administrar os negócios do trio. Teve mais ênfase quando o grupo se separou em 1983 por causa de uma crise entre o trio e Renato Aragão. Dentro desse projeto, sem a presença de Renato, nasceu o filme Atrapalhando a Suate. A separação dos humoristas durou apenas seis meses e houve o retorno do quarteto no ano seguinte. A DeMuZa também realizou outras produções em parceria com a Renato Aragão Produções e licenciavam a imagem do trio para comerciais, shows e produtos com a marca "Trapalhões".

Em fevereiro de 1986, a DEMuZa passava por uma fraude causada por funcionários da produtora que cuidavam da parte financeira do trio. Os funcionários que recolhiam o dinheiro para o pagamentos de impostos, forjaram os recibos em uma maquina registradora roubada do Banco do Brasil. Nesta "Trapalhada" ao qual o trio não tinha culpa alguma, tiveram que arcar com uma divida milionária. Dedé perdeu três casas, Zacarias uma fazenda e Mussum a mansão que possuía numa ilha em Angra dos Reis, vizinha a de "José Bonifacio Sobrinho" (Boni), alem de uma lancha. (A Rede Globo pagou a divida e descontou do salário do trio por 2 anos. Após o falecimento de Zacarias, Dedé e Mussum arcaram com a parte da divida do saudoso trapalhão.A empresa teve seu fim no inicio dos anos 90.)

Em 1983, Zacarias lança seu segundo LP solo (O primeiro lançado em 1975, contava com a participação da personagem Lucrecia, e o disco era apenas humorístico/piadas) totalmente dedicado as crianças. Com canções educativas, Mauro incentivava as crianças a não chupar chupeta, colocar dedo no nariz, a não mentir, respeitar os mais velhos e a refeição.

Ao final de cada ano, Mauro vinha descansar em sua terra, mais precisamente no Natal, no que passava com dona Virginia sua mãe, familiares e amigos.

Aos domingos em Sete Lagoas, participava do programa “O fantástico mundo das criança” na radio Cultura de Geraldo Padrão. Este programa é mantido até hoje na Radio, sendo o único dedicado as crianças, com 3 horas de duração todos os domingos, no auditório “Wilson Tanure, com o diretor Geraldo Padrão no papel de Tio Bento, sua esposa Deusânia como Tia Joana e o palhaço Pimentinha, com brincadeiras e brindes para toda criançada.

No final do ano de 1989, surge nas capas da extinta revista “Amiga – Tv tudo” da também extinta “Bloch editores”, a manchete de que o humorista havia contraído o vírus da AIDS. (Noticia que estava em alta nesta década) A noticia inicio após terem visto o Humorista alguns quilos mais magro. Sendo que o fato real seria um regime por conta própria. Mauro estava se achando fora do seu peso normal e resolveu iniciar por conta própria um regime a base de remédios, e substituindo suas habituais refeições que incluíam arroz, feijão, massas e outras comidas típicas de sua cidade natal (Sete Lagoas), por frutas e saladas.

Seu peso em 1989 estava em 62 kg, já em fevereiro, o humorista estava com 50 kg, o resultou em cansaço físico.

Mauro tinha um sonho de realizar um espetáculo com seu personagem Zacarias, onde cantaria canções, contaria piadas e ensinasse as crianças. Este era um projeto para os anos 90, já que “Os Trapalhões” anunciavam uma pausa nos cinemas.

Mauro ainda teve forças para realizar seu ultimo trabalho nos cinemas (Uma Escola Atrapalhada), uma pequena participação de mais ou menos 15 minutos 

Infelizmente, por conseqüência de um regime mal sucedido e uma infecção pulmonar, no dia 18 de março de 1990, a exatamente às 11h25min da manhã, veio a falecer o humorista “Mauro Faccio Gonçalves”, encerrando assim sua participação no programa “Os Trapalhões” e nos deixando curioso referente a este espetáculo ao qual planejava.

Seu ultimo show ao vivo foi em dezembro de 1989 na cidade de  São Luiz, no maranhão.

O humorista é lembrado até hoje, pois Zacarias é eterno!